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Vitória Régia

DICAS ON-LINE

ANO IX

DATA: 21-jun-2015

658

DESTAQUES DESTA EDIÇÃO:

 Significado de alternativa

-   Falando de acentuação

-   As faces do quê

-   Evite redundância

-   Falta crase?

 

 

Do nosso cotidiano

Significado de alternativa

Assinante de Goiânia (GO) pergunta: “Professor, vi na TV, num programa partidário, a referência a “nosso partido oferece uma outra alternativa de governar”. No tema, meus amigos de rodadas não veem diferença entre opção e alternativa. Como o senhor interpreta esse assunto? ”

oooOooo

Meu caro, embora já existam bons e autorizados dicionários dando esses vocábulos como sinônimos, convém diferençá-los a bem da pureza do idioma. O Dicionário Houaiss já consigna o uso moderno, ampliado, do vocábulo “alternativa" como “uma de duas ou mais possibilidades", enquanto o Dicionário Aurélio registra apenas o uso mais tradicional de "opção entre duas coisas".

Pensamos ser preferível o registro feito no Dicionário Aurélio, por ser mais preciso, mais condizente com norma culta. Assim, é recomendável o uso do vocábulo "alternativa" para se referir a duas possibilidades, e o uso do vocábulo "opção" para se referir a várias possibilidades. Nesse sentido, deve ser evitada a expressão "várias alternativas", dando preferência a expressão “várias opções".

E quanto ao emprego de “outra alternativa”? É pleonasmo, pois alter já significa “outro”. Diga, apenas, “alternativa”. Mas, modernamente, nos testes escolares, se pede que assinale a alternativa correta, e se incluem quatro ou cinco opções. Como dizem os gramáticos: “A alternativa, em rigor, só poderia ser assinalada se houvesse apenas duas possibilidades de escolha para a resposta daquilo que se pede. Forçou-se assim, mais uma catacrese, já que em alternativa existe o elemento alter, que significa outro”.

Sabe o que é catacrese? Metáfora já absorvida no uso comum da língua, de emprego tão corrente que não é mais tomada como tal, e que serve para suprir a falta de uma palavra específica que designe determinada coisa; abusão (p.ex.: braços de poltrona; cair num logro; dentes do serrote; nariz do avião; pescoço de garrafa; virar um vaso de cabeça para baixo etc. (do Dicionário Houaiss)

Exemplos:

A alternativa foi aprovar o orçamento original [uma escolha entre duas]. A opção, entre as muitas sugestões apresentadas, foi aprovar o projeto original [uma escolha entre várias]

Não tens outra alternativa senão avançar.

 

Rapidinha

Cumpri-lo tem acento?

As oxítonas terminadas em i jogam no time das terminadas em u. Seguidas ou não de vogal ou consoante, dispensam grampinhos e chapeuzinhos: tupi, tupis, guarani, guaranis, aqui, ali, cumpri-lo, vesti-la; dormir, funil, caju, cajus, urubu, urubus, bumbum, bumbuns.
 

 
  Prof. Hélio Graça
Editor de Dicas

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Importante: os destaques do texto inicial são da Casa e trazem contribuições de manuais de estilo de importantes jornais do país.

DICAS PARA ESCREVER (E FALAR) BEM
 

 
 
De edições anteriores

Há incorreções nesta frase?
"Se Deus quizer, estarei aí no fim do ano." (Edição 647)
 
Pegadinha anterior
 

A frase abaixo deveria ser reescrita conforme o comentário:
 

"Este que não me confunde mais." (Edição 646)
 
Comentário:
 
Este quê não me confunde mais.

Na frase o quê deve ser acentuado. Ele é substantivo.

A regra diz dessa acentuação, quando o quê for substantivo e  antecedido de pronome, artigo ou numeral. Como todo nome, tem plural

 

Cód. 783

Tudo de bom e algo maisDicas de português

A leitura de jornal só traz vantagens. De um lado, informa, analisa e apresenta diferentes pontos de vista. De outro, permite que avaliemos os conhecimentos de língua. Manchetes, chamadas e matérias provocam. De repente, não mais que de repente, uma passagem levanta questionamentos. “É isso mesmo?”, perguntamos. Pintam, então, dúvidas que exigem solução.

Foi o caso da manchete do Correio Braziliense de ontem: “Homem em fúria leva pânico a escola do DF”. Leitores entupiram e-mails e congestionaram as linhas telefônicas. A questão: falta crase? A resposta: não. O porquê: não ocorre casamento de dois aa. Solteirinho da silva, o “a” é preposição pura.


Como saber?

Existe um truque pra lá de efetivo. Trata-se do troca-troca. Conhece? Basta substituir a palavra feminina por uma masculina (não precisa ser sinônima, mas precisa ter o mesmo número — singular ou plural). Se na mudança der a ou o, o acentinho não tem vez. Se der ao ou aos, o grampinho tem lugar cativo.

Vamos à frase que deu nó nos miolos de goianos e baianos:

Homem em fúria leva pânico a escola do DF.

Vem, machinho:

Homem em fúria leva pânico a colégio do DF.

 

Viu? O truque deu a resposta. Sem ao, nada de crase.


Fixação

Com crase ou sem crase? Faça a sua aposta:

1. No domingo, fomos a praia e, depois, a livraria Cultura e a galerias conhecidas na cidade.
2. Dirigiu-se a turma que o esperava desde as 8h da manhã.
3. Produto sujeito a avaliação de qualidade.

Vamos ao troca-troca?

No domingo, fomos ao clube e, depois, ao parque e a espaços conhecidos na cidade. (No domingo, fomos à praia e, depois, à livraria Cultura e a galerias conhecidas na cidade.)

Dirigiu-se ao grupo que o esperava desde o meio-dia. (Dirigiu-se à turma que o esperava desde as 8h da manhã.)
Produto sujeito a exame de qualidade. (Produto sujeito a avaliação de qualidade.)

Moral da opereta

“A crase”, escreveu Ferreira Gullar, “não foi feita pra humilhar ninguém.” Foi feita pra indicar o casamento de dois aa. Na dúvida se a dupla juntou os trapinhos, há o truque do troca-troca. Com ele, adeus, indecisão! Bem-vinda, certeza.


Outra questão

Ontem o jornal foi pródigo em provocações. Além da manchete, esta chamada no alto da capa despertou dúvidas: “Billie Holiday, que faria hoje 100 anos, morreu em 1959, mais ainda é cultuada como a maior intérprete do jazz”.

Ops! Viu o tropeço? O redator trocou mas por mais. Pra não cair na esparrela, vale a dica:

A conjunção mas dá ideia adversa. Pode ser substituída por porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto: Billie Holiday, que faria hoje 100 anos, morreu em 1959, porém ainda é cultuada como a maior intérprete do jazz.

O advérbio mais aceita ser trocado pelo sinalzinho +: Bia comeu mais do que eu. (Bia comeu + do que eu.) Maria é mais bonita que Paula. (Maria é + bonita que Paula.)


Pequenas consultas

As palavras menas e membra existem? Fiz uma consulta no site da Academia Brasileira de Letras e lá estavam elas. E aí?

O Aurélio e o Houaiss ignoram as duas palavras. O Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp) as registra. Menas aparece como substantivo feminino. Usa-se em frases como esta: “O menas não é forma aceita pela norma culta”. Jamais pode ser empregada como advérbio (menas bonita, menas inteligentes). Membra também figura como substantivo feminino. Empregue-a em contexto como este: “As feministas querem impor a palavra membra em vez de membro para dar mais visibilidade ao sexo da pessoa”. Valha-nos, Deus! Xô! A língua joga no time da mulher de César.

A primeira-dama de Roma não só tinha de ser honesta. Tinha de parecer honesta. A língua não só tem de ser correta. Tem de parecer correta.


 
De edições anteriores

Há incorreções nesta frase?
"Diante das dificuldades de agradar a todos nas trocas de comando no segundo escalão, o governo optará por mudanças pontuais. A ideia é proceder as mudanças de forma a não repetir o que houve com o PP." (Edição 647)
 
Pegadinha anterior
 

A frase abaixo deveria ser reescrita conforme o comentário:
 

"Uma faixa ainda continua interditada na Marginal Pinheiros" (Edição 646)
 
Comentário:
 
Ainda indica duração. Continua dá o mesmo recado. Os dois constituem redundância. Melhor apelar pro comedimento — escolher um ou outro. Assim: Uma faixa continua interditada na Marginal Pinheiros. / Uma faixa ainda está interditada na Marginal Pinheiros .
 

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